Nobre amigo Eliseu, no bojo de discussão relacionado a uma postagem publicada em vosso blog na quarta feira 9 de maio de 2012, gostaria de esclarecer que não preciso reler nada, pois a matéria em si não diz muita coisa, mas o documento do Ministério diz tudo.
Realmente a consulta feita ao Ministério da Saúde foi sobre o PL 7.495/2006 originário do Senado Federal por meio do PLs 270/2006 de Rodolfo Tourinho, o qual não tratava de piso nacional e só veio tratar do piso salarial dos ACE e ACS em seu substitutivo de nº 7.495-A, depois da Comissão Especial absolver o PL 6.111/2010, antigo PL 196 da Senadora Saboya que tratava da regulamentação da EC 63/2010.
Só para lembrar Eliseu, a Dep. Fatima Bezerra foi relatora do PL 6.111/2010 e quando ele foi colocado em pauta para ser votado, ela retirou e disse que não adiantaria votar, pois o PL 6.111/2010 era inconstitucional por não ter partido da Presidência da República. Ela tinha razão? Eu acho que sim, por isso digo com toda certeza que o PL 7.495-A também é inconstitucional. E se não for todos nós fomos enganados em 2010 quando deixaram de votar o PL 6.111?
Na resposta do FORMULÁRIO DE POSICIONAMENTO SOBRE PROPOSIÇÃO LEGISLATIVA, o Ministério da Saúde se declarou sim contrário ao PL 7.495/2006 e, consequentemente, contrário ao seu substitutivo que trata da regulamentação do Piso Nacional. Dizer que o posicionamento do MS é relacionado a PCC e não totalmente ao PL 7.495/2006 é um erro grotesco, pois além do formulário falar por si só, o PL 7.495/2006 trata apenas das diretrizes dos Planos de Carreiras, os quais, só os municípios são competentes para cria-los por sermos servidores municipais.
O documento do Ministério da Saúde de 04 de maio de 2012 é uma negativa ao PL substitutivo 7.4595-A da comissão especial, que teve parecer favorável aprovado em 2011. Veja o que diz a justificativa: “reiteramos os termos contidos no parecer (anexo) deste Departamento, emitido em 22 de março de 2012, de posição contrária ao substitutivo da Comissão Especial ao Projeto de Lei nº 7.495/2006”. Precisa traduzir alguma coisa?
Não preciso reler nada e tudo que coloquei em meu blog está posto pelo MS no documento, ou seja, ele se declarou contra o PL que trata da regulamentação do nosso piso nacional e só não ver quem não quer.
O MS deve ter seus motivos. Se for porque acha o PL 7.495-A inconstitucional, a Dep. Fatima Bezerra tinha razão em não deixar o PL 6.111/2009 ser votado em 2010, mas se o PL 7.495-A que absolveu o PL 6.111/2009 for constitucional, nós todos fomos enganados desde 2010, pois se agora um PL de deputado pode regulamentar o piso dos agentes, por que em 2010 não pode? Por que agora um PL que foi modificado e absolveu algo que antes era inconstitucional é constitucional de uma hora para outra?
TROCANDO EM MIÚDOS:
O PL 270/2006 do Senador Rodolfo Tourinho que não tratava de piso nacional, chegou a Câmara e virou o PL 7.495/2006. Por ser o PL mais antigo relacionado aos agentes de saúde e que já aguardava votação na câmara, todos os PLs novos que foram chegando relacionados aos ACE e ACS, foram apensados a ele (se agarraram para aguardar votação). Assim correu com PL 196/2009 da Senadora Saboya, que ao dar entrada na Câmara virou o PL 6.111/2009 que depois de tanta propaganda política com ele o retiraram de votação.
O que a Comissão especial fez em 2011, foi juntar todos os PLs e fazer um só, ou seja, os apensos números: (PL 298/2007, PL 6033/2009, PL 6033/2009, PL 6035/2009, PL 6111/2009 (1), PL 6681/2009, PL 6129/2009, PL 6754/2010, PL 7056/2010 (1), PL 7095/2010, PL 7363/2010, PL 7401/2010, PL 486/2011, PL 658/2011, PL 1355/2011, PL 1399/2011, PL 1692/2011, PL 3644/2012, PL 3730/2012, PL 3664/2012), depois de analisados, se transformaram no Substitutivo PL nº. 7.495-A que está e discussão na Câmara dos Deputados.
Para finalizar nobres leitores, o que vejo é que esse documento do Ministério da Saúde caiu em mãos erradas e depois da divulgação que fiz, mexi com muita gente que costuma iludir os leigos.
Quero agradecer a Eliseu pelo debate e por me fazer enxergar por outro ângulo o que nem ele próprio enxergou. Sobre a pessoa que lhe disse que falo de deputado(a), diga a ele(a) que não recebo esmolas de nenhum político, não pego dinheiro em gabinete em nome da Instituição sindical e me aproprio indebitamente e muito menos devo satisfação à meia dúzia de assessores, que só ficam bem informados através dos nossos blogs.
Atenção: Antes que digam que até os blogueiros estão brigando, quero esclarecer que não se trata de briga, são conflitos de opiniões de duas pessoas esclarecidas e que dão aula a certos assessores parlamentares que não tem o que fazer.